É preciso ter coragem! MB garante ao G1 que manterá os velhos Skyhawks do Esquadrão Falcão em exercícios iguais aos das manobras que terminaram com dois caças acidentados

Grupo de pilotos da Marinha (o comandante Fonseca Júnior é o segundo da esquerda para a direita), em 2010, na Base Aérea de Santa Cruz (RJ)
Por Roberto Lopes
A coluna INSIDER reproduz, na íntegra, a reportagem publicada pelo Portal da Globo G1, com entrevista do chefe do Estado-Maior da Força Aeronaval, capitão de mar e guerra Augusto José da Silva Fonseca Júnior:
“Piloto que sobreviveu viu caça caindo
‘de barriga’ na água, diz Marinha
Capitão Fonseca Júnior concedeu entrevista 2 semanas após acidente.
Colisão resultou em desaparecimento de aeronave e piloto no mar do RJ.
Colisão resultou em desaparecimento de aeronave e piloto no mar do RJ.
Rebeca Nascimento
Do G1 Região dos Lagos
O piloto de caça da Marinha que sobreviveu a uma colisão há duas semanas no litoral de Saquarema, na Região dos Lagos do Rio, viu a outra aeronave cair “de barriga” na água, mas não viu se o piloto dela [capitão de corveta Igor Bastos] conseguiu ejetar, segundo informações do Capitão de Mar e Guerra Fonseca Júnior, Chefe de Estado Maior do Comando da Força Aeronaval. Na primeira entrevista após o acidente, concedida nesta terça-feira (9) na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia, o capitão relatou o que a instituição já sabe sobre a queda do caça e sobre o desaparecimento do piloto.
“O outro piloto [capitão de fragata Rogerdson Fabiano da Costa Pereira da Silva] viu a aeronave caindo na água. A aeronave entrou basicamente de barriga na água”, explicou o comandante, que também disse não acreditar que a aeronave tenha se partido em vários pedaços. “Ela pode ter partido alguma parte dela, mas ter se desintegrado totalmente eu não acredito”, disse. Questionado se o piloto sobrevivente conseguiu ver o outro se ejetar, o comandante respondeu: “Ele não conseguiu ver (se o outro piloto se ejetou)”.
Segundo Fonseca Júnior, a Marinha sabe do ponto exato onde o AF-1 Skyhawk caiu e conta com equipes de busca por terra e mar, além de mergulhadores e dos navios de Socorro Submarino “Felinto Perry” e de Pesquisa Hidroceanográfico “Vital de Oliveira”, especializados em buscas. Mesmo com o efetivo, o comandante explica a dificuldade em conseguir sucesso nas buscas, que seguem sem interrupções.
“São as características do mar, as condições de ressaca que por determinados momentos dificultam um pouco as ações de buscas, mas o processo está andando de uma maneira normal”, disse Fonseca Júnior.
O acidente aconteceu na tarde do dia 26 de julho, durante um treinamento padrão de ataques a alvos de superfície, que estavam em uma embarcação. As duas aeronaves estavam realizando a aproximação para o início dos ataques quando houve a colisão e o caça AF-1 Skyhawk caiu no mar. Nesta terça, a Marinha também confirmou que dois pneus da aeronave que caiu no mar foram encontrados em Cabo Frio e Arraial do Cabo [conforme a coluna INSIDER informou, com exclusividade, na manhã do domingo(07.08)] . O comandante mostrou uma aeronave do mesmo modelo que caiu no mar (foto abaixo).
Além do ponto onde a aeronave caiu, a Marinha também tem pontos específicos possíveis, apontados pelos equipamentos de sonda. Esses pontos são vistoriados pelos mergulhadores. No local, segundo o comandante, o fundo do mar é cheio de sedimentos, o que dificulta a visibilidade.
Equipamentos e procedimentos estavam regulares
Segundo o Capitão de Mar e Guerra Fonseca Júnior, todo o equipamento da aeronave estava funcionando perfeitamente, até mesmo os dois localizadores que estavam na cadeira e no colete do piloto. Nenhum deles foi ativado.
“As investigações estão sendo conduzidas para que todos esses fatores contribuintes que aconteceram no acidente possam ser elucidados. [Os localizadores] estavam instalados na aeronave e em perfeitas condições de uso. Os voos sem equipamentos de localização são proibidos”, garantiu.
Mesmo com o acidente, o comandante diz que a instituição não pensa em rever os procedimentos. Além da aeronave estar em situação regular, os pilotos que participavam do treinamento eram experientes e capacitados para o equipamento, continua o comandante, tornando o que ele definiu como uma “missão rotineira”.
“Os procedimentos se manterão. Essa aeronave possui os equipamentos que são preconizados pela norma e os procedimentos que estavam sendo adotados são procedimentos consagrados mundialmente e tudo continuará como vem sendo feito, obedecendo os critérios de segurança”.
As aeronaves envolvidas no acidente foram projetadas em 1950, foram construídas em 1979 e foram comprados pelo Brasil do Kuwait após a Guerra do Golfo. A Marinha do Brasil possui 23 exemplares do Skyhawk da versão A-4KU. O processo de modernização inclui 12 delas. Apenas duas já estavam com o processo concluído: as duas envolvidas no acidente.
Investigações do acidente
Até o momento, duas investigações correm sobre o caso. No dia seguinte ao acidente, a Marinha abriu um Inquérito Policial Militar, para apurar as causas do choque entre os dois caças. O prazo para a apresentação de um parecer é de até 60 dias. Uma Comissão de Investigação de Acidentes Aeronáuticos (ComInvAAer) também foi estabelecida, ainda no dia 26, com o objetivo de identificar os fatores que contribuíram para o acidente e visando prevenir novas ocorrências. Ao final da investigação, será emitido um relatório.
Os dois pneus encontrados no litoral de Cabo Frio e Arraial foram os primeiros componentes da aeronave encontrados. Segundo o comandante, eles foram encontrados nos dias 28 e 30 de julho, mas a informação só foi divulgada nesta segunda (8) para que fosse comprovado que eles faziam parte do caça.
A Marinha revelou na terça-feira (2) que a aeronave era vista nos radares do mapa aéreo brasileiro e sumiu no ponto da queda, em Saquarema. Atualmente, as buscas se estendem da Praia de Geribá, em Armação dos Búzios, até o litoral de Maricá. A instituição preserva o nome dos pilotos envolvidos no acidente.
Ex-militar opina sobre o caso
Para o especialista Alexandre Galante, ex-militar da Marinha e consultor em assuntos militares, defesa e acidentes aéreos, o caça pode ter se desintegrado ao se chocar contra a água, dificultando a localização das partes da aeronave [tese descartada pelo chefe do Estado-Maior da Força Aeronaval]. Na entrevista desta terça o comandante Fonseca Júnior rechaçou esta possibilidade. Alexandre, que também é piloto virtual (pilota simuladores), conversou com o G1 por telefone diretamente do Texas, no Estados Unidos, onde mora atualmente”.
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